terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Catulo da Paixão Cearense

Luar do sertão
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Oh! Que saudades
Do luar da minha terra
Lá na serra branquejando
Folhas secas pelo chão!
Este luar cá da cidade
Tão escuro não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão!
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Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão
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Se a lua nasce
Por trás da verde mata
Mais parece um sol de prata
Prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção é a lua cheia,
A nos nascer no coração
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Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão
.
Coisa mais bela
Neste mundo não existe
Do que ouvir um galo triste
Num sertão que faz luar
Parece até que a alma da lua
Que descansa escondida na garganta
Deste galo a soluçar
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Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão
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Ai quem me dera
Se eu morresse lá na serra
Abraçado a minha terra
No milho onde eu plantei
Ser enterrado numa cova pequenina
Onde a tarde sururina
Chora a sua viuvez
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Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão.
(Catulo da Paixão Cearense)
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