segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
.
(É nem que fosse o meu corpo!)
.
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
.
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
.
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
.
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
.
E talvez de meu repouso...
.
Mário Quintana
(Apontamentos de História Sobrenatural)

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