segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ó Fortuna

A roda da fortuna, no codex dos Carmina Burana
Os Carmina Burana, são textos poéticos contidos em um importante manuscrito do século XIII, o Codex Latinus Monacensis, encontrados durante a secularização de 1803, no convento de Benediktbeuern - a antiga Bura Sancti Benedicti, fundada por volta de 740 por São Bonifácio, nas proximidades de Bad Tölz, na Alta Baviera. O códex compreende 315 composições poéticas, em 112 folhas de pergaminho, decoradas com miniaturas. Atualmente o manuscrito encontra-se na Biblioteca Nacional de Munique.
Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e militares de Munique, teve acesso a esse códex de poesia medieval e arranjou alguns dos poemas em canções seculares para solistas e coro, "acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”.

A Cantata
O compositor alemão Carl Orff musicou alguns dos Carmina Burana, compondo uma cantata homônima. Com o subtítulo "Cantiones profanae cantoribus et choris cantandae", a obra, por suas características, pode ser definida também como uma "cantata cênica". Estreou em junho de 1937, em Frankfurt e faz parte da trilogia "Trionfi" que Orff compôs em diferentes períodos, e que compreende os "Catulli carmina" (1943) e o "Trionfo di Afrodite" (1952).

A cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade — a roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança, mas não apresenta uma trama precisa.
Orff optou por compor uma música inteiramente nova, embora no manuscrito original existissem alguns traços musicais para alguns trechos.
Requer três solistas (um Soprano, um Tenor e um Barítono), dois coros (um dos quais de vozes brancas), Pantomimos, Bailarinos e uma grande Orquestra (Orff compôs também uma segunda versão, na qual a orquestra é substituída por dois pianos e percussão).

A obra é estruturada em prólogo e duas partes. No prólogo há uma invocação à deusa Fortuna na qual desfilam vários personagens emblemáticos dos vários destinos individuais. Na primeira parte se celebra o encontro do Homem com a Natureza, particularmente o despertar da primavera - "Veris laeta facies" ou a alegria da primavera. Na segunda, "In taberna", preponderam os cantos goliardescos que celebram as maravilhas do vinho e do amor “Amor volat undique”), culminando com o coro de glorificação da bela jovem ("Ave, formosissima". No final, repete-se o coro de invocação à Fortuna "O Fortuna, velut luna”.
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A obra completa
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Carl Orff - Carmina Burana

FORTUNA IMPERATRIX MUNDI
01. O Fortuna
02. Fortune plango vulnera

I. PRIMO VERE
03. Veris leta facies
04. Omnia sol temperat
05. Ecce gratum

UF DEM ANGER
06. Tanz
07. Floret silva nobilis
08. Chramer, gip die varwe mir
09. Reie
10.Were diu werlt alle min

II. IN TABERNA
11. Estuans interius
12. Olim lacus colueram
13. Ego sum abbas
14. In taberna quando sumus

III. COUR D'AMOURS
15. Amor volat undique
16. Dies, nox et omnia
17. Stetit puella
18. Circa mea pectora
19. Si puer cum puellula
20. Veni, veni, venias
21. In truitina
22. Tempus est iocundum
23. Dulcissime

BLANZIFLOR ET HELENA
24. Ave formosissima

FORTUNA IMPERATRIX MUNDI
25. O Fortuna

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