quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Morte e vida severina

No disco Morte e Vida Severina, de 1966, Chico Buarque musicou a obra "Morte e vida Severina"
de João Cabral de Melo Neto.

( Baixe Aqui )

"De Sua Formosura"
"Severino / O Rio"
"Notícias do Alto Sertão"
"Mulher na Janela"
"Homens de Pedra"
"Todo o Céu e a Terra"
"Encontro com o Canavial"
"Funeral de um Lavrador"
"Chegada ao Recife"
"As Ciganas"
"Despedida do Agreste"
"O Outro Recife"
"Fala do Mestre Carpina"

...

Fala do Mestre Carpina

- Severino retirante,
Deixe agora que lhe diga:
Eu não sei bem a resposta
Da pergunta que fazia,
Se não vale mais saltar
Fora da ponte e da vida;
Nem conheço essa resposta,
Se quer mesmo que lhe diga;
É difícil defender,
Só com palavras, a vida,
Ainda mais quando ela é
Esta que vê, severina;
Mas se responder não pude
À pergunta que fazia,
Ela, a vida, a respondeu
Com sua presença viva.

E não há melhor rsposta
Que o espetáculo da vida:
Vê-la desfiar seu fio,
Que também se chama vida,
Ver a fábrica que ela mesma,
Teimosamente, se fabrica,
Vê-la brotar como há pouco
Em nova vida explodida;
Mesmo quando é assim pequena
A explosão, como a ocorrida;
Mesmo quando é uma explosão
Como a de há pouco, franzina;
Mesmo quando é a explosão
De uma vida severina.

{João Cabral de Melo Neto}

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