terça-feira, 2 de março de 2010

Vinícius e Toquinho

Testamento

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Você que só ganha pra juntar

O que é que há, diz pra mim, o que é que há?
Você vai ver um dia
Em que fria você vai entrar
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Por cima uma laje
Embaixo a escuridão
É fogo, irmão! É fogo, irrnão!
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Falado:
Pois é, amigo, como se dizia antigamente, o buraco é

mais embaixo... E você com todo o seu baú, vai ficar
por lá na mais total solidão, pensando à beça que não
levou nada do que juntou: só seu terno de cerimônia.
Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...
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Você que não pára pra pensar
Que o tempo é curto e não pára de passar
Você vai ver um dia, que remorso!
Como é bom parar

Ver um sol se pôr
Ou ver um sol raiar
E desligar, e desligar
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Falado:
Mas você, que esperança... Bolsa, títulos,

capital degiro, public relations
(e tome gravata!), protocolos, comendas,
caviar, champanhe (e tome gravata!), o amor
sem paixão, o corpo sem alma,
o pensamento sem espírito (e tome gravata!)
e lá um belo dia, o enfarte; ou,
pior ainda, o psiquiatra
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Você que só faz usufruir
E tem mulher pra usar ou pra exibir
Você vai ver um dia
Em que toca você foi bulir!
A mulher foi feita
Pro amor e pro perdão
Cai nessa não, cai nessa não
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Vinícius e Toquinho

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