quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Voz Orgulho do Brasil


Antônio Vicente Filipe Celestino
Voz Orgulho do Brasil

canta - Porta aberta
video

poste que dedica a minha amiga...

Mai do blog... Inspirar-Poesia
e um feliz 2010 a todos!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo !

De repente, num instante fugaz,
os fogos de artifício anunciam que o ano novo está presentee o ano velho ficou para trás.
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De repente, num instante fugaz,
as taças de champagne se cruzam e o vinho borbulhante anuncia queo ano velho se foi e ano novo chegou.
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De repente, os olhos se cruzam,
as mãos se entrelaçam e os seres humanos,
num abraço caloroso, num so pensamento,
exprimem um só desejo e uma só aspiração: paz e amor
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De repente, não importa a nação, não importa a língua,
não importa a cor, não importa a origem,
porque todos são humanos e descendentes de um só Pai,
os homens lembram-se apenas de um só verbo: amar
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De repente, sem mágoa, sem rancor, sem ódio,
os homens cantam uma só canção, um só hino: o hino da liberdade
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De repente, os homens esquecem o passado,
lembram-se do futuro venturoso, de como é bom viver.
Feliz Ano Novo !

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Elis Regina

DVD Ensaio TV Cultura
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20 Anos Blues
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Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
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E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue
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Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal
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Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos
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E eu quero as cores e os colirios
Meus delirios
Estou ligada num futuro blue
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Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal
.
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
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Composição: Vitor Martins e Sueli Costa
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video
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O Nada importante... deseja um Feliz Natal!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Elis Regina

Se Eu Quiser Falar Com Deus
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Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nois
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus...
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Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração...
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E se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Eu tenho que subir aos céus
Sem cordas prá segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar!
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Se eu quiser falar com Deus!
Composição: Gilberto Gil
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Assim com minha amada o Nada importante... se despede por esse ano!
Só tenho a agradecer aos que acompanharão até então, e um muitíssimo obrigado a todos.
Em especial as minhas amigas:
Daisy Libório, Layara, Karine, * Sonhadora *, Bia Monteiro, Lah, Mai, Patrícia, Ianê Mello, Ursula beijo na alma...
E ao meu grande amigo:
BORBOLETAS DE JADE Namastê...
Boas festas a todos! Até o ano que vem, que coisas importantes irão acontecer...
Feliz Natal e um prospero 2010! Que Deus abençoe a todos e ao nosso Brasil!

Oscar Niemeyer

Gostaria de poder enaltecer mais o Oscar no poste mas é difícil pra mim sujeito simples dizer sob um artista Brasileiro maravilhoso que é!
Mas então presto uma singela homenagem a esse artista que admiro por de mais, não só por suas obras que estão espalhado pelo mundo, mas também pela pessoa bonita que é, pelo Brasileiro que é! e não a jeito melhor de fazer se não com sua arte que é maravilhosa!
Então busquei na net algumas de suas obras na lente de fotógrafos excelentes mas que desconheço os nomes.
...






A vida é importante; a Arquitetura não é. Até é bom saber das coisas da cultura, da pintura, da arte. Mas não é essencial. Essencial é o bom comportamento do homem diante da vida.

(OSCAR NIEMEYER)

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todas as fotos tiradas do escelente sitio: Olhares

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Oscar Niemeyer


Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.
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Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer
(Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1907)
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É um arquiteto Brasileiro, considerado um dos nomes mais influentes na Arquitetura Moderna internacional.
Foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado.
Ele tem sido exaltado pelos seus admiradores como grande artista e um dos mais importantes arquitetos de sua geração.
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video
A vida é um sopro
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Oscar Niemeyer – A vida é um sopro é um filme que, sem pretender ser inovador ou genial como o personagem que lhe serve de tema, procura se pautar na clareza de suas linhas e na poética de suas formas, para (re)construir a história do maior ícone da Arquitetura Moderna Brasileira. Uma história indissociavelmente ligada às transformações do país neste último século.
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No documentário, de 90 minutos, o arquiteto conta de forma descontraída como concebeu seus principais projetos. Mostra como revolucionou a Arquitetura Moderna, com a introdução da linha curva e a exploração de novas possibilidades de utilização do concreto armado. Fala também sobre sua vida, seu ideal de uma sociedade mais justa e de questões metafísicas como a insignificância do Homem diante do Universo.
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Produzido pela Santa Clara Comunicação e rodado em vídeo digital e 16mm no Brasil, na Argélia, França, Itália, Estados Unidos, Uruguai, Inglaterra e Portugal, A vida é um sopro é costurado por imagens de arquivo inéditas e raras, e por depoimentos de personalidades como os escritores José Saramago, Eduardo Galeano e Carlos Heitor Cony, o poeta Ferreira Gullar, o historiador Eric Hobsbawn, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, o ex-presidente de Portugal Mário Soares e o compositor Chico Buarque.

Carlos Gardel

Carlos Alberto García Moreno
(11 de dezembro de 1890 ou 1887 ?)
foi o mais famoso dos cantores de tango argentino, país ao qual chegou aos dois anos de idade.
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Cantor e ator celebrado em toda a América Latina pela divulgação do tango.
Inicia-se como cantor ainda jovem com o nome artístico de El Morocho, apresentando-se em cafés dos subúrbios da capital argentina.
Sua primeira interpretação formal se dá no Teatro Nacional de Corrientes, no qual também se apresenta Don José Razzano, com quem forma uma parceria por vários anos.
Pela sensualidade de sua voz, que se presta muito bem à interpretação da milonga – gênero precursor do tango – torna-se conhecido a partir de "Mi noche triste" 1917.
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Madame Ivonne
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Mademoiselle Ivonne era una pebeta
que en el barrio posta del viejo Montmartre
con su pinta brava de alegre griseta,
animo las fiestas de Les Quatre Arts.
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Era la papusa del Barrio Latino,
que supo a los puntos del verso inspirar,
pero fue que un día llego un argentino
y a la francesita la hizo suspirar.
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Madame Ivonne...
la cruz del sur fue como un sino
Madame Ivonne...
fue como el sino de tu suerte.
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Alondra gris,
tu dolor me conmueve;
tu pena es de nieve,
Madame Ivonne...
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Han pasao diez años que zarpo de Francia.
Mademoiselle Ivonne... hoy solo es madame,
la que al ver que todo quedo en la distancia,
con ojos muy tristes bebe su champagne.
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Ya no es la papusa del Barrio Latino,
ya no es la mistonga florecita de lis...
ya nada le queda... ni aquel argentino
que entre tango y mate la alzo de Paris.

Carlos Gardel
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tango

Mi corazón late en dos por cuatro!
abrazada la luna en esa esquina...
se inclina y taconea el viento!!!
( Ursula )
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do blog...

Astor Piazzola

Astor Piazzola Libertango
2 Baixe Aqui
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Astor Piazzola - Libertango
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Astor Piazzolla - tango
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Tango

O tango é um tipo musical e uma dança a par.
Tem forma musical binária e compasso de dois por quatro.
A coreografia é complexa e as habilidades dos bailarinos são celebradas pelos aficionados. Segundo Discépolo,
"o tango é um pensamento triste que se pode dançar".
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Sua origem encontra-se na área do Rio da Prata, na América do Sul, nas cidade de Buenos Aires e Montevidéu
A música do tango não tem uma origem muito clara.
De acordo com estudos que não dispõem de numerosa documentação, o tango descenderia da habanera e se interpretava nos prostíbulos de Buenos Aires e Montevidéu, nas duas últimas décadas do século XIX, com violino, flauta e guitarra (violão).
O escritor e polemista argentino Jorge Luis Borges afirmou que por suas características o tango só poderia ter nascido em Montevidéu ou Buenos Aires.
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O bandoneón, que atualmente caracteriza o tango, chegou à região do Rio da Prata por volta do ano 1900, nas maletas de imigrantes alemães.
Não existem muitas partituras da época, pois os músicos de tango não sabiam escrever a música e provavelmente interpretavam sobre a base de melodias já existentes, tanto de habaneras como de polcas.
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Alguns compositores tradicionais do tango:
Alfredo Le Pera
Ángel Villoldo
Aníbal Troilo
Ástor Piazzolla
Carlos di Sarli
Carlos Gardel
Edgardo Donato
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José Basso
Mal de amores
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Aníbal Carmelo Troilo
Anibal Troilo - Madreselva - Nelly Vazquez - 1964
(é apenas uma musica cada, logo posto mais)
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Ainda estou pesquisando, é um gênero musical muito belo que também estou aprendo mais conforme vou procurando pra poder postar aqui.
logo mais...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009


Catulo da Paixão Cearense

Luar do sertão
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Oh! Que saudades
Do luar da minha terra
Lá na serra branquejando
Folhas secas pelo chão!
Este luar cá da cidade
Tão escuro não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão!
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Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão
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Se a lua nasce
Por trás da verde mata
Mais parece um sol de prata
Prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção é a lua cheia,
A nos nascer no coração
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Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão
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Coisa mais bela
Neste mundo não existe
Do que ouvir um galo triste
Num sertão que faz luar
Parece até que a alma da lua
Que descansa escondida na garganta
Deste galo a soluçar
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Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão
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Ai quem me dera
Se eu morresse lá na serra
Abraçado a minha terra
No milho onde eu plantei
Ser enterrado numa cova pequenina
Onde a tarde sururina
Chora a sua viuvez
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Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão.
(Catulo da Paixão Cearense)
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logo mais...

Nada importante aconteceu hoje...


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O Ébrio - Vicente Celestino


Recitativo - Falado : Nasci artista. Fui cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: a minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita... E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez A Força do Destino, Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio.

Ébrio...

Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou
Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham como eu seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam o meu tormento
Já fui feliz e recebido com nobreza até
Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
E a cada passo um grande amigo que depunha fé
E nos parentes... confiava, sim!
E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então
O falso lar que amava e que a chorar deixei
Cada parente, cada amigo, era um ladrão
Me abandonaram e roubaram o que amei
Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração
Quero somente que na campa em que eu repousar
Os ébrios loucos como eu venham depositar
Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
E suas lágrimas de dor ao peito amigo

Composição: Vicente Celestino

Vicente Celestino

Antônio Vicente Filipe Celestino
Voz Orgulho do Brasil
(Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1894 — São Paulo, 23 de agosto de 1968)

Foi um dos mais importantes cantores Brasileiros do século XX.
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Começou cantando para conhecidos e era fã de Enrico Caruso.
Antes do teatro cantava muito em festas, serenatas e chopes-cantantes.
Estreou profissionalmente cantando a valsa Flor do Mal no teatro São José e fez muito sucesso e também entrou no seu primeiro disco vendendo milhares de cópias em 1916 na Odeon
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Em 1920 montou uma companhia de operetas, mas sem nunca deixar o carnavalesco de lado, emplacando sucessos como Urubu Subiu.
Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou renome.
Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro com Laís Areda e depois com Carmen Dora.
As excursões pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só fizeram aumentar sua popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da canção.
Na década de 30 começou a demonstrar seus dotes como compositor resultando em clássicas de seu reportório, como
' O Ébrio ', sua música mais lembrada até hoje
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(inclusive transformada em filme por sua esposa).

Vicente Celestino teve uma das mais longas carreiras entre os cantores brasileiros.
Quando morreu, às vésperas dos 74 anos, no Hotel Normandie, em São Paulo, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, na famosa gafieira "Pérola Negra", que seria gravado para um programa de televisão.

Vicente Celestino

Vicente celestino
Nasceu para cumprir a linda missão
Que lhe foi dada por Deus:
A de cantar até o ultimo dia de sua vida.
Durante 65 dos 74 anos que viveu
Fez ouvir pela terra que tanto amou
O milagre vivo de sua garganta privilegiada.
Posso assegurar que sua maior alegria
“ele que era um homem do povo”
Foi ter proporcionado à sua gente
Momentos de felicidade com suas canções

Gilda Abreu
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Vicente Celestino
Baixe Aqui

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Nada importante aconteceu hoje...
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Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini

Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini [1970]
Baixe Aqui
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PAULO VANZOLINI
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01 PRAÇA CLÓVIS
Chico Buarque
02 CAPOEIRA DO ARNALDO
Carlos Paraná
03 RONDA
Cláudia Morena
04 VOLTA POR CIMA
Adauto Santos
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ADONIRAN BARBOSA
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01 TREM DAS ONZE
Demônios da Garoa
02 SAMBA DO ARNESTO
Adoniran Barbosa e Os Titulares do Ritmo
03 SAUDOSA MALOCA
Demônios da Garoa
04 TOCAR NA BANDA
Adoniran Barbosa e Os Titulares do Ritmo

Adoniran Barbosa

Carlos Lyra

25 Anos de Bossa Nova (1987)

Cartola

Cartola - Entre Amigos (1984)

César Camargo Mariano e Hélio Delmiro

Samambaia (1981)

domingo, 6 de dezembro de 2009

João Bosco

João Bosco de Freitas Mucci
(Ponte Nova, 13 de julho de 1946)
É um cantor, violonista e compositor Brasileiro.
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João Bosco é um dos mais rebuscados violonistas da MPB com arranjos complexos e execuções magistrais
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Clique no link e veja mais > João Bosco
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ou
visite seu sitio oficial
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Prestigie os verdadeiros artistas Brasileiros

João Bosco

Incompatibilidade de Gênios
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Dotô,
jogava o Flamengo, eu queria escutar.
Chegou,
Mudou de estação, começou a cantar.
Tem mais,
Um cisco no olho, ela em vez de assoprar,
Sem dó,
falou que por ela eu podia cegar.
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Se eu dou,
Um pulo, um pulinho, um instantinho no bar,
Bastou,
Durante dez noites me faz jejuar
Levou,
As minhas cuecas pro bruxo rezar.
Coou,
Meu café na calça prá me segurar
.
Se eu tô
Devendo dinheiro e vem um me cobrar
Dotô,
A peste abre a porta e ainda manda sentar
Depois,
Se eu mudo de emprego que é prá melhorar
Vê só,
Convida a mãe dela prá ir morar lá
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Dotô,
Se eu peço feijão ela deixa salgar
Calor,
Mas veste o casaco veste casaco prá me atazanar
E ontem,
Sonhando comigo mandou eu jogar
No burro,
E deu na cabeça a centena e o milhar
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Ai, quero me separar
Composição: João Bosco/Aldir Blanc
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João Bosco - Galos de Briga (1976)
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João Bosco - Caça à Raposa (1975)
Baixe Aqui

Florbela Espanca

Flor Bela de Alma da Conceição
Foi uma poetisa portuguesa
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A sua vida de trinta e seis anos foi tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia
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Autora de contos, artigos na imprensa, traduções, epístolas e um diário, Florbela Espanca antes de tudo foi poetisa. É à sua poesia, quase sempre em forma de soneto, que ela deve a fama e o reconhecimento. A temática abordada é principalmente amorosa. O que preocupa mais a autora é o amor e os ingredientes que romanticamente lhe são inerentes: solidão, tristeza, saudade, sedução, desejo e morte.
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Florbela Espanca causou grande impressão entre seus pares e entre literatos e público de seu tempo e de tempos posteriores.
Além da influência que seus versos tiveram nos versos de tantos outros poetas, são aferidas também algumas homenagens prestadas por outros eminentes poetas à pessoa humana e lírica da poetisa.
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Manuel da Fonseca, em seu "Para um poema a Florbela" de 1941, cantava
"(...) E Florbela, de negro,/ esguia como quem era,/ seus longos braços abria/ esbanjando braçados cheios/ da grande vida que tinha! ".

Também Fernando Pessoa, em um poema datilografado e não datado
de nome "À memória de Florbela Espanca", descreve-a como
" alma sonhadora/ Irmã gêmea da minha! "
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Noivado Estranho
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O luar branco, um riso de Jesus,
Inunda a minha rua toda inteira,
E a Noite é uma flor de laranjeira
A sacudir as pétalas de luz…
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A luar é uma lenda de balada
Das que avozinhas contam à lareira,
E a Noite é uma flor de laranjeira
Que jaz na minha rua desfolhada…
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O Luar vem cansado, vem de longe,
Vem casar-se co´a Terra, a feiticeira
Que enlouqueceu d´amor o pobre monge…
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O luar empalidece de cansado…
E a noite é uma flor de laranjeira
A perfumar o místico noivado!…
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Florbela Espanca - Trocando olhares - 30/04/1917
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sábado, 5 de dezembro de 2009

Florbela Espanca

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Amar
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Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui…além…
mais este e aquele, o outro e toda a gente..
Amar! Amar! E não amar ninguém!
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Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
durante a vida inteira é porque mente.
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Há uma primavera em cada vida:
é preciso cantá-la assim florida,
pois se Deus nos deu voz foi prá cantar
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E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
que seja minha noite uma alvorada,
que me saiba perder…prá me encontrar…
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Se tu viesses ver-me
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Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…
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Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…
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Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
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E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…
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O Nosso Mundo
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Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…
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Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!
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A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!
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Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…
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Interrogação
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Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.
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Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde eu vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!
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Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!
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Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!
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Florbela Espanca
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Para ouvir na voz de Miguel Falabella
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