segunda-feira, 29 de março de 2010

CHORO

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Mestres:
Déo Rian - bandolim
Damásio - violão
- violão de 7 cordas
Julinho - cavaquinho
Darly - pandeiro
Manoel - violão
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Participações especiais:
Calixto Corazza - cello
Manezinho - flauta
Bolão - sax-tenor
Demétrio - flauta em sol
Felpudo - trombone de pisto e bombardino
Pirituba - ritmo
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Musicas:

01 - Chorinho na praia
02 - Chuva
03 - Baboseira
04 - Pateck cebola
05 - Horas vagas
06 - Boas vidas
07 - Ao som dos violões
08 - Feitiço
09 - Orgulhoso
10 - Saracoteando
11 - Quebrando o galho
12 - Heróica
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A pedido
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dos blogs...
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Obrigado Mai por estar sempre a visitar esse singelo blog
que só faz por enaltecer artistas do nosso Brasil
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Altamiro Carrilho e Carlos Poyares

Altamiro Carrilho e Carlos Poyares
Pixinguinha, de novo (1975)
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João Donato

João Donato - Leilíadas (1986)

BAIXE AQUI 1
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Paco de Lucía

Paco de Lucía - Cositas buenas
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sábado, 27 de março de 2010

Parabéns Renato Manfredini Jr!

Renato Manfredini Júnior
(Rio de Janeiro, 27 / 3 / 1960 - Rio de Janeiro, 11 / 10 / 1996)
Cantor, compositor e músico Brasileiro, membro da banda
Legião Urbana
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Renato hoje completaria 50 anos.
Com saudade presto singela homenagem.
O Gênio foi embora mas nos deixou grandes obras primas
que são pra toda a eternidade.
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Maurício
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Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu.
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Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar.
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem.
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Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Para algum país distante
E voltar a ser feliz.
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Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se meu desejo então já se realizou
O que fazer depois
Pra onde é que eu vou?
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Eu vi você voltar pra mim...
Composição: Renato Russo
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URBANA LEGIO OMNIA VINCIT
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OUÇA NO VOLUME MÁXIMO
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Florbela Espanca

Languidez

Tardes da minha terra, doce encanto,
Tardes duma pureza de açucenas,
Tardes de sonho, as tardes de novenas,
Tardes de Portugal, as tardes d’Anto,

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!…
Horas benditas, leves como penas,
Horas de fumo e cinza, horas serenas,
Minhas horas de dor em que eu sou santo!

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar…

E a minha boca tem uns beijos mudos…
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar…

Florbela Espanca - Livro de Mágoas

O Nosso Livro

Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito…
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito.
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
“Versos só nossos, só de nós os dois!…”

Florbela Espanca - Charneca em Flor

Blasfémia

Silêncio, meu Amor, não digas nada!
Cai a noite nos longes donde vim…
Toda eu sou alma e amor, sou um jardim,
Um pátio alucinante de Granada!

Dos meus cílios a sombra enluarada,
Quando os teus olhos descem sobre mim,
Traça trémulas hastes de jasmim
Na palidez da face extasiada!

Sou no teu rosto a luz que o alumia,
Sou a expressão das tuas mãos de raça,
E os beijos que me dás já foram meus!

Em ti sou Glória, Altura e Poesia!
E vejo-me — milagre cheio de graça! –
Dentro de ti, em ti igual a Deus!…

Florbela Espanca

Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A núvem que arrastou o vento norte…
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…

Florbela Espanca - Livro de Mágoas
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Para ouvir na voz de Miguel Falabella

Nara Leão

Nara Lofego Leão
(Vitória, 19 de janeiro de 1942 — Rio de Janeiro, 7 de junho de 1989)
Uma cantora Brasileira
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Grândola, Vila Morena
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Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

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"Grândola, Vila Morena" é a canção composta e cantada por Zeca Afonso que foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) para ser a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos. A canção refere-se à fraternidade entre as pessoas de Grândola, no Alentejo, e teria sido banida pelo regime salazarista como uma música associada ao Comunismo. Às zero horas e vinte minutos do dia 25 de Abril de 1974, a canção era transmitida na Rádio Renascença, a emissora católica portuguesa, como sinal para confirmar as operações da revolução. Por esse motivo, a ela ficou associada, bem como ao início da Democracia em Portugal.
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logo mais...
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dedica ao Selo de Amizade Portugal/Brasil
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Oferecido por:
LUmeNA dos blogs... Amoralya - Welwitchya - LUMYNART

O disco foi um pedido Christophe

sexta-feira, 26 de março de 2010

Andrés Segovia

Andrés Segovia
(Linares, Espanha, 21/2/1893 - Madri, 3/6/1987)
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Foi um violonista erudito Espanhol considerado o pai do Violão erudito moderno pela maioria dos estudantes de música.
Segóvia dizia que ele “resgatou o violão das mãos dos ciganos flamencos”, e construiu um repertório clássico para dar lugar ao instrumento em salas de concerto.
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A primeira apresentação de Segóvia foi na Espanha, quando tinha 16 anos. Poucos anos depois, ele fez seu primeiro concerto profissional em Madrid, tocando transcrições de Francisco Tárrega e algumas obras de Bach, que ele próprio transcreveu e arranjou.
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Muitos músicos proeminentes acreditaram que o violão de Segóvia não seria aceitado pela comunidade de música erudita, porque nas suas mentes, o violão não poderia ser usado para música erudita.
Apesar disso, a excelente técnica de Segóvia e seu toque único atordooaram suas platéias. Conseqüentemente, o violão não foi mais visto estritamente como um instrumento popular, mas um instrumento que também era apto a tocar música erudita.
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Em 1935, fez a premiere da Chacona de J. S. Bach, uma peça difícil para qualquer instrumento.
Mudou-se para Montevideo fazendo muitos concertos na América do Sul na década de 30 e 40.
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Ganhou o prêmio Grammy pela Melhor Performance Erudita - Instrumentista em 1958, pela sua gravação Segóvia Golden Jubilee.
Em reconhecimento à sua enorme contribuição cultural, ele foi elevado para a nobreza espanhola em 1981, com o título de Marquês de Salobreña.
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BAIXE AQUI

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Andres Segóvia continuou fazendo apresentações já idoso e viveu uma semi-aposentadoria durante os anos 70 e 80 na Costa del Sol. Dois filmes foram feitos sobre sua vida e obra, um quando tinha 75 anos e outro 9 anos depois. Eles estão disopníveis em um DVD chamado

Andres Segovia - in Portrait

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quinta-feira, 25 de março de 2010

Milton Nascimento

Clube da Esquina ll
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Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, asso, asso
Asso, asso, asso, asso, asso, asso
Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos
Calmos, calmos, calmos
E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva
De um rio, rio, rio, rio, rio
E lá se vai...E lá se vai...
E o rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio-fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente
Gente, gente, gente, gente, gente
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Composição: Lô Borges / Márcio Borges / Milton Nascimento
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Milton Nascimento – Angelus
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" Se Deus cantasse, seria com a voz do Milton "
( Elis Regina )
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Caetano Veloso

1967-Domingo BAIXE AQUI

quarta-feira, 24 de março de 2010

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Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos
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Antologia que agrega as revelações entre poetas Brasileiros contemporâneos, será lançada
(10 de Maio de 2010 )
integra esta seleta com o poema
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" No momento mais agudo de si "
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Você pode adquirir exemplares desta Antologia até o dia
( 5 de abril de 2010 )
Para conferir:
Câmara Brasileira de Jovens Escritores

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terça-feira, 23 de março de 2010

Elis

Morro Velho
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No sertão da minha terra
Fazenda é o camarada que ao chão se deu
Fez a obrigação com força
Parece até que tudo aquilo ali é seu
Só poder sentar no morro
E ver tudo verdinho, lindo a crescer
Orgulhoso camarada de viola em vez de enxada
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Filho de branco e do preto
Correndo pela estrada atrás de passarinho
Pela plantação adentro
Crescendo os dois meninos, sempre pequeninos
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Peixe bom dá no riacho
De água tão limpinha, dá pro fundo ver
Orgulhos camarada conta histórias pra moçada
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Filho do sinhô vai embora
É tempo e estudo na cidade grande
Parte, tem olhos tristes
Deixando o companheiro na estação distante
"Não me esqueça amigo, eu vou voltar"
Some longe o trenzinho ao deus-dará
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Quando volta já é outro
Trouxe até sinhá-mocinha para apresentar
Linda como a luz da lua
Que em lugar nenhum rebrilha como lá
Já tem nome de doutor
E agora na fazenda é quem vai mandar
Seu velho camarada já não brinca, mas trabalha
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Composição: Milton Nascimento
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Só por que eu amo ela, até foi aniversario dela e eu nem fiz nenhum poste, e o meu blog só faz sentido com ela... na verdade sem ela muita coisa não teria sentido... mas enfim.
Nada será como antes...
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20 Anos blue

Olá vim avisar que postei o disco
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Voices of the Dark
Dark side of the moon - A cappella
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no blog...
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20 anos blue

domingo, 21 de março de 2010

Tanto Mar - Chico Buarque de Hollanda

Tanto Mar - Chico Buarque de Hollanda
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"Tanto mar" comemora a vitória do Estado democrático, em festa. E não só o reencontro com a liberdade. É a alegria, a esperança cantada. Esta música - que festejava a Revolução dos Cravos, em Portugal - foi proibida. Tem uma 1ª versão de 1975 e uma segunda em 1978. A letra da canção tinha um destinatário especial ("Sei que estás em festa, pá"), o português José Nuno Martins (que na altura era um dos melhores amigos de Chico Buarque.)
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Quando o disco foi editado, em 1975, vivia-se em Portugal a euforia da Revolução de Abril. Como sempre solidário, Chico quis homenagear esse tempo de liberdade e compôs uma das suas melhores e mais emblemáticas canções.
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A canção foi incluída (e naturalmente cantada) no concerto que deu origem ao álbum "Chico Buarque & Maria Bethânia ao vivo", mas a censura Brasileira proibiu a sua divulgação e apenas foi autorizada a sua inclusão no album como tema instrumental.
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Logo mais...
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Chico Buarque 1978
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Tanto Mar
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Sei que estás em festa, pá
fico contente
e enquanto estou ausente
guarda um cravo para mim.
Eu queria estar na festa, pá
com a tua gente
e colher pessoalmente
uma flor do teu jardim.
Sei que há léguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
sei também que é preciso, pá
navegar, navegar.
Lá faz primavera, pá
cá estou doente
manda urgentemente
algum cheirinho de alecrim.
Chico Buarque
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SELO LUMENA DE AMIZADE PORTUGAL/BRASIL

O Selo Lumena de Amizade Portugal/Brasil, representa uma ligação forte entre os dois países. Existe uma relação de fraternidade, como irmãos, e estreitarmos ainda mais os laços que nos unem históricamente e pela aproximação geográfica.
Todos os amigos/as "blogueiros", dedico este sublime Selo, pela canção de Chico Buarque "Tanto Mar, Tanto Mar", onde existe um oceano inteiro a nos separar, mas a Língua Portuguesa, nos aproxima e encurta as distâncias.
Para nós, Portugueses e Brasileiros, todos eternamente apaixonados pela nossa Língua comum, traço mais evidente da nossa identidade Lusófona.
É exactamente essa ligação sui generis, que me leva a comemorar com todos vòs, o facto histórico, compartilhada há 500 anos.
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O Selo Lumena de Amizade Portugal/Brasil não existe excepções.
Todos irão receber um convite para virem repassar para os vossos blogues.
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sexta-feira, 19 de março de 2010

Baden Powell


Baden Powell de Aquino
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(Varre-Sai, 6 /8/1937 - Rio de Janeiro 26/9/ 2000)
Violonista Brasileiro
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O bruxo alquimista: Baden Powell
por Hermínio Bello de Carvalho*
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(...) E o que se pode dizer do violão de Baden? Que possui atabaques, que às vezes nele ouvimos os flautins e bombardinos e oficleides daquelas bandinhas que tocavam nos coretos das pracinhas do interior Brasileiro: que em seu pinho perpassam às vezes a flauta de Patápio Silva e os pianos-pianeiros de Nazareth e Mestre Nonô (tio, aliás, de Ciro Monteiro). E são obedientes à vontade do dono essas seis cordas que ele multiplica por não sei quantas centenas de milhares de vozes cafuzas e morenas, cordas que ele ora com amorosidade ora com a fúria dos amantes que delas sabem extrair os ais e os gozos mais exangues.
Um bruxo, esse Baden. E, além do mais, um alquimista feiticeiro, espécie de arcanjo endemoniado que, em seu turíbulo de prata, mistura mirra e incenso e arpejos e escalas e acordes e avoa por aí espargindo essa alquimia de sons e luzes e cores inventando melodias, que vai tecendo, rendeiro, com as seis mil cordas de violão, cheio de patuás e magias.
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*Segmento do texto de uma das capa do encarte do disco
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*Hermínio Bello de Carvalho é um compositor, produtor musical e poeta Brasileiro. É considerado um dos maiores conhecedores da Música Popular Brasileira
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Baden Powell - Ao vivo no Rio Jazz Club
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O Bruxo aqui
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01 - Introdução / Valsa de Eurydice 02 - Samba do avião 03 - Tributo a Dorival Caymmi: Rosas de abril / Dora 04 - Jongo 05 - Formosa 06 - Variações sobre Asa branca 07 - Naquele tempo 08 - Rosa 09 - Gente humilde 10 - Samba em prelúdio 11 - Choro em menor 12 - Gracioso 13 - Violão vadio
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O disco é maravilhoso!
Carimba bem a genialidade do Mestre Badeco!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Charles Baudelaire

Enivrez-Vous
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Il faut être toujours ivre.
Tout est là:
c'est l'unique question.
Pour ne pas sentir
l'horrible fardeau du Temps
qui brise vos épaules
et vous penche vers la terre,
il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi?
De vin, de poésie, ou de vertu, à votre guise.
Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois,
sur les marches d'un palais,
sur l'herbe verte d'un fossé,
dans la solitude morne de votre chambre,
vous vous réveillez,
l'ivresse déjà diminuée ou disparue,
demandez au vent,
à la vague,
à l'étoile,
à l'oiseau,
à l'horloge,
à tout ce qui fuit,
à tout ce qui gémit,
à tout ce qui roule,
à tout ce qui chante,
à tout ce qui parle,
demandez quelle heure il est;
et le vent,
la vague,
l'étoile,
l'oiseau,
l'horloge,
vous répondront:
"Il est l'heure de s'enivrer!
Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps,
enivrez-vous;
enivrez-vous sans cesse!
De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."
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Charles Baudelaire
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dedica a...
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Tudo neste Blog tem um ar infinito e um gosto forte...
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Reverência...
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Um brinde às noites que se seguem!
Cálices fecundos ao alto!
Que esse frio continue soprando na minha face!
Que leve meus pensamentos
Para que os que de mesma natureza,
Possam neles espelhar-se!
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quarta-feira, 17 de março de 2010

Sinfonia da Alvorada

Vinicius de Moraes
texto para a capa do LP
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A idéia de escrevermos uma Sinfonia celebrando Brasília não é nova. Em fevereiro de l958, eu acidentado num hospital de Petrópolis, conversei pela primeira vez com Antonio Carlos Jobim sôbre o assunto. Ainda no correr dêsse mesmo ano, alguns dos temas musicais aqui constantes já haviam sido compostos pelo jóvem Maestro. Houve logo, é claro, quem falasse em obra "encomendada" e outras tolices do gênero, o que feriu certas suscetibilidades de Jobim. E a tarefa ficou postergada para dias mais inteligentes. Até que, de volta do meu pôsto em Montevidéu, em junho de l960, recebi uma telefonada de Brasília. Induzido por êsse querido amigo que é Oscar Niemeyer, o Presidente Kubitschek, também um velho amigo, convidava-nos para criar, com os técnicos da firma francesa "Clemançon", especializada na matéria , um espetáculo "Son et Lumière" para a Praça dos Três Poderes, à maneira dos que são feitos nos principais castelos francêses e em vários outros grandes monumentos do mundo, como a Acrópole, as Pirâmides e tantos mais, para fins de atração turística. Era a oportunidade. Brasília já deixara de ser um sonho para transformar-se numa realidade de âmbito mundial. A cidade empreendida por Kubitschek e criada por Niemeyer sôbre o plano-pilôto de Lúcio Costa, outro grande e caro amigo, erguia suas brancas e puras empenas nas antigas solidões do planalto central de Goiás, em extensões apascentadas pela vetustez da terra e pela proximidade do infinito, numa paisagem de oxigênio, silêncio e saudade das origens. O lugar mais antigo da terra, como gosta de dizer Jobim, povoava-se ràpidamente; e malgrado as pragas de um grupo de ressentidos, os que preferem governar o país nas proximidades das buates, a cidade crescia num ritmo alegre de trabalho e confiança, com turmas a se revezarem de sol a sol . De nada valia o pio das aves de mau agouro da imprensa e de alhures, contra o ímpeto maravilhoso do trabalhador brasileiro, que acorreu de todos os cantos do país, sobretudo do Norte, para erguer aquelas estruturas adiante do Tempo e para coabitar pacìficamente numa "cidade-livre" levantada do dia para a noite com restos de material de construção: uma autêntica cidade de "far-west", só que sem os tiros e bandidos do cinema.
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Esboçado o plano da obra, partimos para Brasília afim de estruturar temas e poemas em contato humano com a cidade. Hóspedes do "Catetinho", hoje tombado como monumento histórico, olhávamos de nossa sala-de-trabalho - a mesma em que o Presidente Kubitschek assinou seus primeiros atos na nova capital - a silhueta quase sobrenatural da cidade na linha extrema do horizonte, recortada contra auroras e poentes de indizível beleza. De madrugada, enquanto víamos congelar-se no ar frio o jato ascencional do Boeing-707, escutávamos tambem o piar das perdizes e dos jaós, entre as surdas rajadas intermitentes do vento do altiplano.Havia em nós essa tristeza que nasce da beleza, e pavilhávamos os capões de mato com a sensação do irremediável do tempo. Jobim, caçador experimentado e velho piador de pássaros, arremetia mais longe do que eu. Eu voltava, a partir do lindo ôlho dágua do pequeno bosque, para os meus intermináveis passeios na alpendrada do "Catetinho", onde ficava a pensar o texto da Sinfonia e a esperar a comida simples e gostosa que nos dava "a patrôa" de Luciano, o caseiro: o mais antigo funcionário de Brasília. Apraz-me dizer nunca ouvi, ao longo das horas em que Antonio Carlos Jobim mergulhava no mato, um só tiro pertubar o silêncio das velhas planuras. É minha impressão que o músico perdeu a coragem de chumbar seus coleguinhas alados, mesmo quando constituam ótimo comestível, como é o caso das perdizes.
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Dez dias ficamos assim no "Catetinho", nesse dolce far niente de fazer uma Sinfonia, com sentinela à porta, pois a princípio os numerosos turistas punham sempre o nariz na vidraça para constatar como íamos de trabalho. De vez em quando dávamos um pulo à cidade para ver os amigos Oscar Niemeyer, José (Juca) Ferreira de Castro Chaves, João Milton Prates - os bravos pioneiros de Brasília, os homens que, com o Presidente Kubitschek, primeiro puseram o pé no planalto. João Milton Prates, herói da FAB, antigo pilôto e amigo de JK, grande e bom amigo nosso, êsse vinha sempre nos ver, com vitualhas e licores, e tomava pela obra em progresso um interêsse quase criador. Um dia exibiu-nos, de sua carteira, a histórica promissória de 500 contos, firmada por êle e Niemeyer, com a qual puderam erguer em dez dias o incomparável "Catetinho". Ao grande Presidente e a todos êsses homens que não têm frio nos olhos, mas cujos olhos se umedeceram ao ouvirem pela primeira vez ao piano os temas iniciais da "Sinfonia da Alvorada", - a nossa comovida gratidão, não só pela confiança que tiveram em nós como pelo exemplo que nos deram de ânimo, modéstia e espirito de luta.
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Falei em piano. É fato. João Milton Prates providenciou-nos um piano que veio de Goiânia. Ajudados por Luciano e três candangos, nós o subimos a braço para o "Catetinho", com mais mêdo de que seus degraus cedessem ao pêso do que de um enfarte do miocárdio. Naturalmente, pois o "Catetinho" é hoje um monumento histórico, e a estátua do Fundador de Brasília parecia apreensiva, sôbre o seu pedestal no terreiro em frente, com os resultados de nossa operação.
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Temos um último e mais íntimo agradecimento a fazer: da parte de Antonio Carlos Jobim, a Thereza Hermanny Jobim, sua mulher, e Celso Frota Pessôa, um padastro que é mais que um pai, que deu mão forte a um jóvem estudante de arquitetura cuja verdadeira vocação era a música; de minha parte, a minha mulher Maria Lúcia Proença de Moraes. A "torcida" dos três, sem embargo de uma constante vigilância crítica, nos foi sempre do maior estímulo nesse empreendimento em que dois sentimentos são determinantes: amor pela obra e confiança no futuro de Brasília e do Brasil. Rio, Janeiro de 1961
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VINICIUS DE MORAES
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Então já não posso prova que de fato é uma carta feita por Vinicius ao LP, pois não tenho o disco em mãos e pelo que percebi é um disco raro até porque nunca o vi em sebos aqui em Curita, mas minha próxima ida aos sebos irei perguntar a respeito assim trago melhores informações. O próprio sitio do qual tirei, é todo confuso meio a odara!
mas enfim...
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Brasília - Sinfonia da Alvorada
Música: Antonio Carlos Jobim
Poesia: Vinicius de Moraes
LP 12" capa dupla, gravado em novembro de 1960, no estúdio da Colúmbia, Rio de Janeiro Orquestra sinfônica sob a regência de Antonio Carlos Jobim Recitativo por Vinicius de Moraes (alguns trechos com participação de Tom Jobim)
Côro: Dante Martinez sob a direção de Roberto de Regina
(Participação de Os Cariocas e Elizete Cardoso)
Piano: Radamés Gnattali
Capa: Oscar Niemeyer
Fotografia: Franceschi
Engenheiro de som: Sergio Lara Campos Tom e Vinicius
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Na capa interna do LP A Sinfonia da Alvorada, que mais tarde ficou sendo conhecida como Sinfonia de Brasília
Foi encomendada a Vinicius e Tom pelo presidente Juscelino Kubitschek desde fevereiro de 1958, mas o trabalho da dupla foi adiado por causa de protestos contra a contrução da cidade, originados principalmente nas áreas de oposição ao governo. Mais tarde, Juscelino reiterou o convite através do arquiteto Oscar Niemeyer, que transmitiu a Vinicius a vontade do presidente de ter a Sinfonia pronta antes de 21 de abril de 1960, dia marcado para a mudança da capital. A convite de Juscelino, Tom e Vinicius passaram uma temporada em Brasília, para conhecer o local onde a cidade estava sendo construída. Mas Brasília foi inaugurada sem a Sinfonia, e um espetáculo de luz e som planejado para 7 de setembro de 1960, quando a Sinfonia seria finalmente apresentada, também não aconteceu, por causa dos altos custos apresentados pela empresa francesa Clemançon, que proveria o equipamento e a tecnologia para o evento. A Sinfonia da Alvorada foi apresentada em primeira audição em 1966, na TV Excelsior de S. Paulo. Uma segunda apresentação deu-se na Praça dos Três Poderes em Brasília em 1986, com regência de Alceu Bocchino, e Radamés Gnattali ao piano. O texto de Vinicius foi falado por sua filha Susana de Moraes, e por Tom Jobim.
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A Sinfonia é dividida em cinco partes:
I - O Planalto Deserto
II - O Homem
III - A Chegada dos Candangos
IV - O Trabalho e a Construção
V - Coral
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terça-feira, 16 de março de 2010

Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes

Antonio Carlos Jobim e
Vinicius de Moraes
Brasilia Sinfonia da Alvorada (1961)
BAIXE AQUI
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01 - O Planalto Deserto
(Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)
02 - O Homem
(Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)
03 - A Chegada dos Candangos
(Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)
04 - O Trabalho e a Construção
(Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)
05 - Coral
(Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)
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Estou procurando mais a respeito desse disco, mas ta difícil de encontra uma fonte boa e confiável.
Mas logo eu termino o poste esclarecendo a respeito desse grande obra.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Dalva de Oliveira

Dalva de Oliveira - A Voz Sentimental do Brasil (1953)
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sobre a Dalva tem nesse blog que é muito bom...
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logo mais...

Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano

Nilo Amaro & Seus Cantores de Ébano - Os Anjos Cantam (1961)

sábado, 13 de março de 2010

14 de março dia da poesia

Soneto De Separação
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De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
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De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
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De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
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Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
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Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim
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Vinícius de Moraes - Antologia Poética 1977

sexta-feira, 12 de março de 2010

Francisco José

Voz romântica por excelência
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Francisco José - Outra Vez Cantando As Mais Lindas Canções (1962) Baixe Aqui

Francisco José

Francisco José - Álbum de recordações
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01 - Olhos castanhos 02 - Guitarra toca baixinho 03 - Estrela da minha vida 04 - Recado a Lisboa 05 - Nem às paredes confesso 06 - Foi Deus 07 - Coimbra 08 - Lisboa antiga 09 - Canção do mar 10 - Alcobaça 11 - Sinal da cruz 12 - Triste sina 13 - Ana Paula 14 - Tu e somente tu 15 - Como é bom gostar de alguém 16 - Fado Mayer 17 - És tu 18 - Quatro palavras 19 - Canção relógio 20 - Eu e tu 21 - É tão sublime